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Mostrando postagens de 2017

São Tempos Difíceis Para quem Sonha

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain , uma comédia francesa (bastante leve) de 2002, com um elenco de peso, e um roteiro apaixonante. Tudo que precisava pra despertar a poesia em mim, nesta tarde de finados. Vou tentar retratar minhas impressões sobre os personagens, tentando ao máximo evitar dar spoiler, do que para mim, é o melhor filme do mundo.  Me identifico muito com Amélie, uma verdadeira lunática, nos nossos dias. Talvez por isso goste tanto do filme, por isso me emociona tanto seus trechos em tons de sépia. A história toda se passa numa vila, com personagens bastante caricatos e engraçados, os franceses quando querem tem um grande senso de humor e, principalmente, nunca perdendo a sensibilidade.  Uma postura amena de vida junto, a um desejo genuíno de ajudar as pessoas, poderia descrever nossa querida protagonista, mas é muito mais que isso. Amélie é uma sobrevivente, uma sobrevivente da vida triste e solitária de uma filha única de pais problemáticos, super...

Eu sei, mas não devia

Marina Colasanti Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números,...

CAFÉ A DOIS - Ana Larousse

Vou guardar os teus soluços mais delicados Teus olhos e teus casacos de fio Vou guardar os teus sorrisos apaixonados Teu jeitinho de sozinho sorrir, mesmo quando só faz frio Vou guardar os teus cabelos tão bagunçados À noitinha antes da gente ir dormir Vou guardar tuas vitórias e os teus pecados E as histórias que eu gostava de ouvir Naquelas tardes de sol, nas manhãs de sol E eu vou guardar tuas manias e os teus errados Teus trejeitos e as covinhas ao rir Vou guardar os teus sossegos mais agitados Teu jeitinho de me fazer sorrir Mesmo quando não faz sol, não faz sol E quando eu não lembrar de mais nada Nem das rugas, nem dos anos Nem dos nomes, e nem do frio Vou querer te contar Como foi o meu dia E passear Te dizer o que eu quero pro jantar Descansar Desse dom De viver só pras lembranças Por não ter mais nada pra guardar Vou poder me sentar enfim E tomar esse café a dois Pra nunca mais vivê-lo só depois. Acordar em plena madrugada e se lembrar de uma música que te m...