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CAFÉ A DOIS - Ana Larousse

Vou guardar os teus soluços mais delicados Teus olhos e teus casacos de fio Vou guardar os teus sorrisos apaixonados Teu jeitinho de sozinho sorrir, mesmo quando só faz frio Vou guardar os teus cabelos tão bagunçados À noitinha antes da gente ir dormir Vou guardar tuas vitórias e os teus pecados E as histórias que eu gostava de ouvir Naquelas tardes de sol, nas manhãs de sol E eu vou guardar tuas manias e os teus errados Teus trejeitos e as covinhas ao rir Vou guardar os teus sossegos mais agitados Teu jeitinho de me fazer sorrir Mesmo quando não faz sol, não faz sol E quando eu não lembrar de mais nada Nem das rugas, nem dos anos Nem dos nomes, e nem do frio Vou querer te contar Como foi o meu dia E passear Te dizer o que eu quero pro jantar Descansar Desse dom De viver só pras lembranças Por não ter mais nada pra guardar Vou poder me sentar enfim E tomar esse café a dois Pra nunca mais vivê-lo só depois. Acordar em plena madrugada e se lembrar de uma música que te m...

Uma Retomada

Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses. Rubem Alves   Eu prometi pra mim mesma, não abandonar meus sonhos e minhas metas. Uma delas é: escrever, nem que seja duas ou três linhas todos os dias, talvez um pouco mais e, mesmo se eu não gostar, postar... um motivo? Preciso voltar a praticar a escrita, ninguém se torna grandioso sem a prática.  Ando precisando praticar muitas coisas. E sinceramente ando entendendo tanta coisa que não tinha o menor interesse há poucos meses. Aprender com os erros, a melhor das aprendizagens.  Aprendi que a omissão de fatos ou de sentimentos e descontentamentos nos leva a perder quem amamos (ou o amor que tínhamos), mas aprendi também que a verdade sem amor é apenas crueldade e que machuca (eu realmente citava a frase, mas não compreendia seu significado, eu fui cruel e perdi admiração, carinho e amor de alguém que me era muito cara.  Aprendi que algumas coisas podemos recuperar, mas isso...

Quando Pensei

Quando pensei que não perderia, perdi Tudo aquilo que me faz falta. Quando pensei que não sofreria, sofri Da forma mais dolorosa. Procurei me esconder, me eximir, Tentativas vãs Quanto mais tentei e me afastei Mais me acirrei. Quando o amor me chegou Tratei de encaminhá-lo Pensando cuidar de minh’alma Por isso murchou. Como uma rosa, morreu Por medo, perdi e sofri Hoje vive uma esperança, Como a de uma criança... te ver voltar.

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias

Pelo tema do meu trabalho de conclusão de curso, na universidade (puxa vida, falta muito pouco para ser uma psicóloga!), venho pesquisando cada vez mais sobre a Ditadura Militar. No cinema há vários recortes desse período, muitos destes estão além da história formal, as memórias individuais, aquelas que ainda não conseguiram o direito de existir, retratando, então, relatos muito particulares na história da sociedade daquele momento, são roteiros de alguns outros, os que foram marginalizados por aqueles que detinham o poder e, seus atos institucionais. No filme “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” (empregado, também, como título desta reflexão), há a apresentação da história  do garoto Mauro, que aparentemente tinha um bom nível de vida, junto de seus pais, em Minas Gerais, entretanto sua vida se transforma em um verdadeiro dramalhão quando seus pais saem de férias, esta sendo uma nomeação de camuflagem para sua fuga, pois eram revolucionários, precisaram manter-se na cla...

Você pode usar contra mim

  “Será que o mundo quer ser mudado?” Essa frase emblemática de Olga Benário (Camila Morgado), em “Olga” me deixou bastante intrigada e instigada a escrever. Sempre fui admiradora de mulheres fortes, que mudaram seus destinos já determinados desde muito jovens, que sabiam o que queriam ou coisas do tipo. Olga Benário (ou Olga Prestes, como foi conhecida, também, aqui no Brasil) é uma das mais divas. Mobilizou grandes entidades em um dos períodos mais violentos e desumanos da humanidade. Sim, ela viveu no mundo entre guerras, lutou na Revolução Russa, ajudou em manifestações do Partido Comunista na Alemanha, aliás era uma guerrilheira do mesmo, definitivamente, não era uma boa alemã! Era contra as injustiças sociais, tinha repulsa pelos jogos de poder, entretanto, como tudo que é revolucionário, foi perseguida, torturada e morta. Deixando os bastidores de sua vida e me concentrando na questão política que é o que mais me interessa, aliás, as questões da revolução e com...

Musicas Inspiradoras...

Quando você foi embora meus dias se tornaram cinza e muito chuvosos... talvez frios. Lembro-me que foi tão inesperado que todas as minhas portas e janelas estavam abertas o que acabou molhando toda a minha mobília, estragou algumas coisas que eram importantes, tive que mandá-los para a restauração (e ainda não ficaram prontas, esperemos que um dia fique). Mas com jeitinho, fui secando, arrumando,  organizando, aliás, me organizando, entretanto resolvi deixar as portas fechadas, outras pessoas tentaram entrar, fazer morada, elas não conseguiram entrar, muitos que tenho certeza dariam tudo por isso (não, não sou presunçosa). Você voltou... acho que não organizei o suficiente, ou talvez, você me passasse uma imagem honesta e digna de mim... acredito que por sua ótima argumentação... por apenas dias meu sol voltou a brilhar, por acaso esqueci da chuva que passou por aqui, da inundação que eu mesma tive que secar, a duras penas e, eu sequei... eu juntei os caquinhos de cada promessa...

Texto Sem Nome...

Hoje estou com uma vontade de escrever, mas não sei exatamente sobre o que... e se eu falar sobre morte? Tema um tanto quanto triste, não?  Mas se eu falar de amor? Nossa, já estou doce demais, logo estarei precisando de um pouco de sal! (kkk) E, que tal falar de política? Ah, estou tão entediada de um sistema que nunca muda... Talvez falar de família? Amo tanto os meus, que logo cairia no assunto  amor... e não quero falar de amor. Não sei, não sei... do que falar, o que citar, sobre o que me exprimir? A vida! É, esse tema é bom... mas que área da vida? Profissional? Emocional? Familiar? Amorosa? Nascimento? Crescimento? Desenvolvimento? Não sei, é tudo tão amplo, tudo tão ligado! Quem sabe, se me achegar a psicologia? Psicanálise? Fenomenológico-existencial? Humanista? Cognitivo-Comportamental? São tantas abordagens, tantos pensadores, tantos conteúdos. Escolhas? Um bom tema... escolhas... O que são estas, senão produtos de nós mesmos? E se são produtos de n...